PELO MAR DENTRO
quinta-feira, 4 de setembro de 2008


Amanheceu, mas preferis-te continuar na cama; não tens forças suficientes para te levantares e saíres do quarto, da casa, e enfrentar os problemas que te esperam. À noite, não consegues dormir, nunca tiveste insónias, mas foste impedida de relaxar; sempre que fechavas os olhos, ouvias barulhos ensurdecedores, vindos da cabeça, e vias imagens de momentos tristes, angustiantes. Os fantasmas da preocupação assombravam-te, rodopiando à tua frente. “Não aguento mais!”, Disseste em voz alta, querendo desistir de tudo, inclusive de ti própria.
Naquela altura, a solidão corroía os teus sentimentos, e, mais que estar só, tu eras só, não tinhas com quem conversar, dividir os problemas, ouvir conselhos e receber o calor reconfortante de um abraço; Olhavas-te no espelho e o reflexo não era o teu, era de alguém com os cabelos despenteados, os olhos inchados de tanto chorar, o rosto abatido, cheio de rugas.Rugas que surgiram da noite para o dia. Enfim, era o reflexo de uma vida dilacerada pelo sofrimento.

Não desistas. Procura a força que está reprimida no teu coração, transforma o sofrimento num gerador de força e prossegue. Levanta-te, luta e vence, porque tu és capaz. Basta querer lutar e querer vencer. A vida é constituída de problemas: contas (a vida está cara!), carros no mecânico, canos entupidos, ruas cheias de covas, perseguições no trabalho, saudades, solidões, dores, doenças... Mas há sempre solução, mesmo quando parece não haver. A solução está na vida, porque a vida, mais que tristeza e sofrimento, é alegria e contentamento.

Não desistas. Deixa os lamentos, as lembranças amargurantes, a pena de ti própria, e reconhece que nasces-te para ser feliz e para contribuir com a felicidade alheia, reconhece que cada situação difícil traz em si fortalecimento e ensino; o fortalecimento do espírito que não julga e não condena, mas perdoa, e o ensino de que nada acontece em vão, tudo tem um sentido, uma explicação, um porquê.

Não desistas. A cruz é pesada, mas teus ombros são fortes. Deixa a inferioridade, porque tu és importante. Tem consciência que não é o fim, mas o início. O início de uma etapa de alegria. Não penses que ninguém se importa contigo, não penses que estás só, à margem de todos e tudo. Há quem se preocupe contigo; não fujas de quem te quer bem. Permite que a chama de esperança se torne um incêndio no teu coração, consumindo a dor, e, como uma guerreira, arma-te com a coragem, a força e a determinação, e caminha pelo terreno armadilhado, avançando vorazmente contra tudo e todos, dizendo “eu posso!”, “eu consigo!”, “eu sou capaz!”.
Porque tu és “EU” um ser Especial e Único.
 
posted by stautmarine at 20:40 | 3 comments
segunda-feira, 16 de abril de 2007
A mulher é como um livro
Antes de se folhear
Tem beleza, tem doçura
Tem mistério no olhar

Um dia tive um livro lindo
Que li muita vez
Um livro que me fugiu
Um livro japonês

E as páginas desse livro
Já não voltarei a ler
Porque o livro que se sumiu
O primeiro leitor nao quer ver

Já li muitos livros
Cada um é uma lição
São livros que não me interessam
São livros em segunda mão

Mas esse livro que eu amo
A outro ser faz feliz
Que não se esqueça jamais
que fui o primeiro que o li...
 
posted by stautmarine at 16:58 | 6 comments
quinta-feira, 5 de abril de 2007

Sorriso que se toca levemente

Com o carinho de uma mão,

Que alimenta de vida

A felicidade e a imaginação.


Sorriso que se guarda como bem mais precioso

Num baú repleto de emoção,

Sorriso que guardo como um tesouro

No mar do meu coração.
 
posted by stautmarine at 19:54 | 4 comments
sábado, 24 de março de 2007
Há muitos, muitos anos, vivia no Condado das Sete Cidades uma linda Princesa chamada Antília. Era filha única de um velho Conde viúvo que era conhecido pelo seu mau feitio. Senhor das Alquimias e do Saber, o Conde vivia em exclusivo para a sua filhinha, não gostando que a Princesa falasse com ninguém. A menina ora estava com o pai, ora estava com a velha ama que a criara desde o nascimento, altura em que a Condensa sua mãe falecera. Os anos foram passando, Antília foi crescendo e um dia já não era mais aquela menina de tranças loiras caídas sobre os ombros, enfeitadas com flores silvestres; tinha-se transformado numa linda jovem, uma Princesa capaz de encantar qualquer rapaz do seu Condado. Contudo, se todos ouviam falar da beleza da jovem Princesa, eram poucos ou nenhuns os que a conheciam, pois o Conde não gostava que ela saísse do castelo nem dos jardins que o circundavam.Mas Antília não se deixava intimidar pelo pai, e com a ajuda da velha ama costumava esquivar-se todas as tardes, enquanto o Conde dormia a sesta depois do almoço. Saía pelas traseiras, sem que ninguém a visse, e ia passear pelos montes e vales próximos.Num desses passeios, andando pela floresta, um dia a Princesa escutou uma música. A música era tão linda, encantou-a de tal forma, que ela se deixou guiar pelo som e foi descobrir um jovem pastor a tocar flauta, sentado no cimo de um monte. Era ele o autor de tanta maravilha! A Princesa, encantada, deixou-se ficar escondida a ouvir o jovem a tocar flauta. E ouviu-o escondida durante semanas, até que o pastor, um dia, a descobriu por detrás de uns arbustos.
Ao vê-la foi amor à primeira vista, e era recíproco, pois ela também estava apaixonada por ele. Os jovens continuaram a encontrar-se. Passavam as tardes a conversar e a rir, o pastor a tocar para a Princesa e ela a escutá-lo enlevada, e ambos se sentiam muito felizes juntos.Um belo dia o pastor decidiu pedir a Princesa em casamento. Logo pela manhãzinha, o jovem bateu à porta do Castelo, e pediu ao criado para falar com o Conde. Pouco depois o criado voltou e levou-o à presença do Soberano. Muito nervoso mas determinado, o pastor fez-lhe uma vénia e, olhando-o nos olhos, disse: - Majestade, gosto muito de Antília, sua filha, e gostaria de pedir a sua mão em casamento.- A mão de minha filha, NUNCA... OUVIS-TE... NUNCA!- disse o Conde aos berros.- Criado, põe este pastor atrevido na rua. O jovem bem tentou argumentar, mas ele não o deixava falar, e expulsou-o do Castelo. Em seguida o Conde mandou chamar Antília e proibiu-a de ver o pastor. Antília mais não fez do que acatar as ordens do Conde seu pai. E nessa mesma tarde foi ter com o seu amor e disse-lhe que nunca mais se podiam encontrar. Os dois jovens choraram toda a tarde abraçados. As suas lágrimas, de tantas serem, formaram duas lindas e grandes lagoas, uma verde da cor dos olhos da Princesa, a outra azul da cor dos olhos do pastor. E ainda hoje estas duas lagoas continuam no Vale das Sete Cidades, na Ilha de São Miguel, lá nos Açores, para avivar a memória de todos quantos por ali passam, e recordar o drama dos dois apaixonados.

(Esta é uma das várias lendas que o povo conta sobre o aparecimento da Lagoa das Sete Cidades na Ilha de São Miguel - Açores,.
Muitas mais lendas existem e cada uma com a sua historia e o seu encanto, mas o certo é que as lagoas lá estão, juntas e felizes.)
 
posted by stautmarine at 11:56 | 1 comments
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Numa noite assim, gelada de azul
Numa noite em que a noite
Não tardou a vir
E as estrelas negaram
O seu brilho e o seu calor
Numa praia, sozinho estava, sem amor.

Á procura de ti fui, como um louco.
Num cavalao alado, sem freio ou selim
Da areia molhado - outora meu leito
Minha espada levantei, e prendi ao peito.

Á Lua, por mistério, perguntei teu caminho
Mas a Lua dormia junto ao nevoeiro
Embalada pelo mar, um sono profundo!
E a pergunta ecoou pelos céus deste mundo.

Meu cavalo cansei, mas em vão tudo foi.
Á areia e á praia voltou meu pensamento.
Desmontei e chorei, desisti da quimera...
Quando a praia cheguei, estavas á minha espera!

No cavalo alado para o infinito
Voei naquela noite de solidão...
 
posted by stautmarine at 13:42 | 2 comments